quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Relatório do IPCC: quem polui mais paga a conta.

Brasileiro que ajudou a escrever o último relatório do IPCC diz que países ricos têm de financiar a construção de um modelo energético mais limpo para as nações em desenvolvimento
O último relatório do IPCC, o Painel da ONU para as Mudanças Climáticas, indica que as reduções dos níveis de carbono na atmosfera - principal fonte do aquecimento global - custarão menos em países em desenvolvimento. A notícia causou polêmica e levou a China a liderar um movimento contra os países desenvolvidos.
Para os chineses não é justo sacrificar o crescimento econômico no lugar de nações que consolidaram seu poderio econômico lançando poluentes atmosféricos por mais de um século. Ironicamente, o Brasil - cuja base energética é uma das mais “limpas” do mundo - entrou no jogo dos chineses juntamente com os indianos.
Esta é uma discussão infrutífera. No estágio atual, estimular o crescimento econômico a qualquer preço ao ambiente seria desastroso.
Segundo o professor Roberto Schaeffer, da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o correto seria elaborar uma estratégia em que os países ricos financiem a mudança da base energética de nações como a China, a Índia e o Brasil. Schaeffer foi um dos três brasileiros que participaram da elaboração do último relatório do IPCC e explica o que está em jogo a partir de agora.

  • Países em desenvolvimento poderão ser obrigados a reduzir suas emissões de CO2, algo que comprometeria o crescimento de suas economias. Só isso explica o apoio do Brasil à China e à Índia?
Schaeffer - Os países em desenvolvimento acreditam que a redução das emissões deve partir das nações ricas, verdadeiras culpadas da situação atmosférica atual. Essa briga dura desde 1992, quando aconteceu a Eco92, no Rio de Janeiro. Naquela ocasião, os países entenderam que havia um problema ambiental grave em curso e definiram suas responsabilidades. Chegaram à conclusão de que uns tinham mais culpa do que outros. O gás carbônico emitido fica na atmosfera por milhares de anos.
Portanto não é a emissão de hoje que está fazendo o clima mudar, mas sim o estoque acumulado ao longo do último século. Alguns países desenvolvidos, em particular os EUA, se apegam ao fato de a China ser, nesse momento, o segundo emissor mundial. Ela deve passar os EUA no próximo ano. Assim, o argumento usado pelos americanos é o de que se a China emite quase tanto quanto eles, por que só os americanos teriam de sofrer intervenção?

  • Mas, ao contrário da China, o Brasil constrói seu crescimento a partir de fontes limpas de energia...
Schaeffer - Não significa que será sempre assim. Hoje 85% da energia elétrica produzida no Brasil saem de usinas hidrelétricas, fontes consideradas limpas. Com as previsões de aumento do consumo à medida que o país for crescendo, existem grandes chances de que sejam utilizados combustíveis fósseis. Hoje há um gargalo na concessão de licenças ambientais para a construção de hidrelétricas e é por isso que os países em desenvolvimento querem que os ricos respondam pela maior parte das reduções.

  • Proporcionalmente, os países em desenvolvimento já não emitem tanto (ou mais) quanto os desenvolvidos?
Schaeffer - Os países em desenvolvimento reconhecem que emitem muito, mas o problema de mudança climática é um problema de estoque de gás carbônico na atmosfera, uma responsabilidade dos países desenvolvidos. São eles que, há mais de um século, vêm emitindo gases estufa. As nações em desenvolvimento começaram esse processo há não mais que trinta anos.
O que a China lançou nesse ano terá pouquíssimo impacto no clima do planeta porque representa uma fração muito pequena do que já está lá em cima. O foco da discussão é: a redução das emissões em países ricos não terá impacto no seu desenvolvimento. Com as nações em desenvolvimento, é o contrário. Impedir a China de emitir gases significa condenar 1,3 bilhão de chineses à miséria. A lógica vale também para os indianos e brasileiros.

  • Como resolver esse conflito?
Schaeffer - A saída é um esquema de compensação em que os países ricos financiam a construção de uma base energética limpa nas nações em desenvolvimento. A China está expandindo a sua geração de energia elétrica a partir do carvão, um dos maiores vilões do aquecimento global.
Os chineses poderiam manter seu ritmo de crescimento utilizando o gás natural ou outras fontes alternativas de energia. Mas isso custaria muito caro. Os países desenvolvidos não querem um planeta quente porque eles não têm mais miseráveis.
Com as nações em desenvolvimento a prioridade ainda é sanar os problemas sociais por meio do desenvolvimento econômico. Seria mais barato se, ao invés de mudarem toda a planta industrial instalada em seus países, os desenvolvidos financiassem um novo modelo energético em países como o Brasil, a China ou a Índia.

Por Ana Paula Galli

MUDANÇAS CLIMÀTICAS

Após admitir erro sobre geleiras, IPCC é alvo de críticas por questão amazônica


Após o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) admitir que errou em sua avaliação de que as geleiras do Himalaia desapareceriam até 2035 por causa do aquecimento global, uma nova polêmica sobre o órgão da ONU, desta vez relacionada a um dado sobre a floresta amazônica, está instalada.

Em seu quarto relatório, lançado em 2007, o IPCC afirma que “até 40% das florestas amazônicas podem reagir drasticamente até mesmo a uma leve redução na precipitação, o que significa que a vegetação tropical, a hidrologia e o clima na América do Sul poderiam mudar muito rapidamente a outro estado permanente, não necessariamente produzindo mudanças graduais entre a situação presente e futura”.

Foto: Divulgação/Expedição Rios Voadores

Chuva sobre a Amazônia. Segundo o pesquisador Daniel Nepstad, a floresta é de fato sensível ao regime pluviométrico, mas o IPCC deveria ter usado fontes primárias em seu relatório para tratar do assunto. (Foto: Divulgação/Expedição Rios Voadores)


“É mais provável que as florestas serão substituídas por ecossistemas que tenham maior resistência a estresses múltiplos, causados pelo aumento de temperatura, secas e queimadas, como as savanas tropicais”, prossegue o texto.

O trecho virou motivo de ataques contra o IPCC porque a referência bibliográfica usada para justificá-lo é um relatório da organização de defesa do meio ambiente WWF, e não um artigo científico nos moldes tradicionais. Os autores do relatório do WWF são um analista da própria ONG, Peter Moore, e o jornalista Andrew Rowell, que já teria trabalhado para outras organizações ambientalistas.

Fonte: http://www.globoamazonia.com/Amazonia/0,,MUL1475276-16052,00.html

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Tragédias climáticas são resultados do aquecimento global,diz IPCC.

Para painel da ONU, alguns dos piores e mais recentes casos de eventos extremos podem ser ligados à ação humana.

RIO - Algumas das piores tragédias climáticas recentes são resultado do aquecimento global e o mundo pode esperar por eventos ainda mais dramáticos nos próximos anos. O alerta está num relatório apresentado nesta sexta-feira em Kampala, Uganda, onde está reunido o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU (IPCC, na sigla em inglês). O anúncio acontece a apenas duas semanas do começo da 17ª Conferência Mundial sobre Mudanças Climáticas da ONU, em Durban, África do Sul.
É muito provável que as emissões de gases do efeito estufa associadas à ação humana sejam a causa da elevação de temperatura - e dos recordes de calor - e do aumento das chuvas. O IPCC disse, porém, que é mais difícil relacionar o aquecimento global ao aumento da incidência de furacões, tornados e tufões.

O novo relatório do IPCC é extremamente cauteloso e, para alguns cientistas, conservador. Ele se restringe a casos de clima severo, isto é, secas e chuvas extremas. Recordes de temperatura também foram considerados. “Há uma significativa tendência estatística no aumento de eventos de chuva intensa em algumas regiões”, diz o relatório, cuja versão preliminar está disponível na internet.
O sumário de 29 páginas é voltado para governos. Em fevereiro, o IPCC deve liberar uma versão ampliada. O relatório final, porém, só deverá estar pronto em 2013.
O relatório também destaca que “é virtualmente certo que aumentos na frequência e na magnitude de recordes de elevação de temperatura e redução nos extremos de frio vão ocorrer ao longo do século XXI em escala global”.
O IPCC destaca que a vulnerabilidade das pessoas também aumentou e continuará a crescer. O aumento populacional associado ao mau uso da terra e à falta de planejamento costeiro colocam mais pessoas em risco. “A rápida urbanização e o crescimento de megacidades, especialmente em países em desenvolvimento, poderá levar ao surgimento de comunidades urbanas altamente vulneráveis a desastres”, destaca o estudo. O IPCC pede aos governos mais ação para proteger a população e evitar que eventos extremos de clima se tornem catástrofes.

Concentração de gases de efeito estufa batem o recorde em 2010


Segundo ONU, é o maior nível de concentração de dióxido de carbono desde 1750.

GENEBRA - A agência climática da Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou , nesta segunda-feira, que a concentração de gases que causam efeito estufa atingiram níveis recorde de emissão em 2010, que excede o pior cenário previsto por cientistas, segundo boletim anual publicado pela Organização Meterológica Mundial.

 
A Agência informou que a concentração de dióxido de carbono no ar atingiu 389 partículas por milhão, o maior nível de concentração desde o início da era industrial em 1750. WMO disse que essa concentração significa um aumento de 20% em óxido nitroso, 39% de CO2 e de 158% de metano desde então.
O relatório das Nações Unidas cita como maiores culpados do nível recorde de gases, a queima de combustível nas grandes cidades, a perda de florestas que filtram o CO2 e o uso indiscriminado de fertilizantes.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/ciencia/concentracao-de-gases-de-efeito-estufa-batem-recorde-em-2010-3284172#ixzz1eLJ6Hw67


Fonte:Jornal o Globo (21/11/2011)
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terça-feira, 25 de outubro de 2011

Ignacy Sachs (Varsóvia, 1927)

 É um economista polonês, naturalizado francês. Também é referido como ecossocioeconomista, por sua concepção de desenvolvimento como uma combinação de crescimento econômico, aumento igualitário do bem-estar social e preservação ambiental. O termo ecossocioeconomiafoi cunhado por Karl William Kapp, economista de origem alemã e um dos mais brilhantes inspiradores daecologia política nos anos 1970.
Há mais de trinta anos Ignacy Sachs lançou alguns dos fundamentos do debate contemporâneo sobre a necessidade de um novo paradigma de desenvolvimento, baseado na convergência entre economia,ecologia, antropologia cultural e ciência política.


Obras publicadas no Brasil e sobre o Brasil


  • Capitalismo de Estado e Subdesenvolvimento: Padrões de setor público em economias subdesenvolvidas. Petrópolis : Vozes. 1969.
  • Ecodesenvolvimento : crescer sem destruir. Trad. de E. Araujo. - São Paulo: Vértice, 1981.
  • Espaços, tempos e estratégias do desenvolvimento. São Paulo: Vértice. 1986.
  • Histoire. culture et styles de développement : Brésil et Inde -esquisse de comparaison sous la dir. de C. Comeliau et I. Sachs. L'Harmattan, UNESCO/CETRAL, Paris.
  • Extractivismo na Amazônia brasileira: perspectivas sobre o desenvolvimento regional. Ed. por M. Cllisener-Godt e Ignacy Sachs. -Paris: UNESCO, 1994; -96 p. (Compêndio MAB ; 18)
  • Estratégias de transição para o século XXI: desenvolvimento e meio ambiente. Prefácio: M. F. Strong ; trad. Magda Lopes. São Paulo: Studio Nobel : Fundação do desenvolvimento administrativo (FUNDAP), 1993.
  • Brazilian Perspectives on Sustainable Development of the Amazon Region. ed. by M. Clüsener-Godt and I. Sachs. UNESCO/The Parthenon Publishing Group, Paris-New York, 1995.
  • Rumo à Ecossocioeconomia - teoria e prática do desenvolvimento. São Paulo: Cortez Editora, 2007.
  • Caminhos para o desenvolvimento sustentável. Ignacy Sachs. Coleção Idéias Sustentáveis. Ed. Garamond, 2006.
  • Desenvolvimento includente, sutentável e sustentado. Ignacy Sachs. Ed. Garamond, 2006.
  • Inclusão social pelo trabalho. Ignacy Sachs. Ed. Garamond, 2006

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

PNUMA-Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.

Estabelecido em 1972, o PNUMA tem entre seus principais objetivos manter o estado do meio ambiente global sob contínuo monitoramento; alertar povos e nações sobre problemas e ameaças ao meio ambiente e recomendar medidas para aumentar a qualidade de vida da população sem comprometer os recursos e serviços ambientais das futuras gerações.

Com sede em Nairóbi, no Quênia, o PNUMA dispõe de uma rede de escritórios regionais para apoiar instituições e processos de governança ambiental e, por intermédio  desta rede,  engaja uma ampla gama de parceiros dos setores governamental, não-governamental, acadêmico e privado em torno de acordos ambientais multilaterais e de programas e projetos de sustentabilidade.

Dentre as principais áreas temáticas de atuação do PNUMA no período 2010-2011 estão as mudanças climáticas, a gestão de ecossistemas e biodiversidade, o uso eficiente de recursos e o consumo e produção sustentáveis e a governança ambiental.
 


Fonte:http://www.unep.org.br/
O PNUMA Brasil atua em estreita colaboração com o Escritório Regional para a América Latina e Caribe, baseado no Panamá, e mobiliza recursos técnicos de suas diversas unidades especializadas localizadas em Nairobi, Paris, Genebra, Cambridge etc.
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